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Educação Básica

por que quase todo mundo ainda usa e por que quase todo mundo deveria parar

A poupança ainda é o investimento mais popular do Brasil. Mas ela rende menos que a inflação em boa parte do tempo. Entenda por quê e o que fazer no lugar.

Por Equipe Caderninho Financeiro
por que quase todo mundo ainda usa e por que quase todo mundo deveria parar


Se você cresceu numa família de renda baixa no Brasil, provavelmente a primeira conta que seus pais abriram para você foi uma poupança. Era o jeito padrão de guardar dinheiro. Seguro, simples, sem taxa. Ninguém perguntava se rendia bem. Render bem não era o ponto. O ponto era não gastar.


Esse raciocínio faz sentido como filosofia. Como instrumento financeiro, a poupança perdeu a utilidade que um dia teve. E entender por quê é o primeiro passo para colocar o seu dinheiro em algum lugar melhor.

Como a poupança funciona, de fato


A poupança tem uma regra de rendimento definida pelo governo. Quando a taxa Selic está acima de 8,5% ao ano, ela rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial, uma taxa que hoje é praticamente zero. Quando a Selic está abaixo de 8,5%, ela rende 70% da Selic.


Com a Selic em 13% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês, o que equivale a cerca de 6,17% ao ano. A Selic está pagando 13%. Você está recebendo menos da metade disso.


Mas o problema mais grave não é só o rendimento baixo. É a relação com a inflação.

O problema da inflação que ninguém explica direito


Guardar dinheiro não é o mesmo que preservar poder de compra. Se você guarda R$ 1.000 hoje e daqui a um ano ainda tem R$ 1.000 na conta, você perdeu dinheiro. Porque com a inflação, aqueles R$ 1.000 compram menos do que compravam antes.


Para o dinheiro guardado não perder valor, ele precisa render pelo menos o equivalente à inflação do período. Isso tem um nome técnico, retorno real, e é a medida que realmente importa. Não quanto o número cresceu, mas quanto cresceu acima da inflação.


A poupança perdeu para a inflação em vários períodos dos últimos anos. Em 2021, a inflação foi de 10,06% e a poupança rendeu 4,9%. Quem deixou dinheiro na poupança naquele ano perdeu cerca de 5% do poder de compra. O número na conta cresceu, mas o dinheiro valia menos.

Por que as pessoas ainda usam


Não é ignorância na maioria dos casos. É inércia, comodidade e falta de informação prática.


A poupança já está lá. O banco oferece na hora em que você abre a conta corrente. Não tem taxa, não tem burocracia, o dinheiro entra e fica rendendo sem você precisar fazer nada. Para quem nunca foi apresentado a outra opção, a poupança parece razoável.


Tem também um conforto psicológico real. Muita gente associa a poupança a segurança, a não perder dinheiro. O número na tela nunca cai. Mesmo que o poder de compra esteja sendo corroído em silêncio, ver o saldo crescendo, mesmo que devagar, dá uma sensação de que as coisas estão indo bem.


O problema é que sensação e realidade são coisas diferentes quando se trata de dinheiro.

O que usar no lugar


As alternativas à poupança não são complicadas. Existem opções que combinam segurança parecida com a da poupança, liquidez imediata ou próxima disso e rendimento significativamente maior.

Tesouro Selic


É um título público emitido pelo governo federal. Rende praticamente a taxa Selic cheia. Com liquidez diária, você pode resgatar qualquer dia útil sem perda. É mais seguro do que qualquer banco porque o risco é o governo federal. Para reserva de emergência e para dinheiro que você pode precisar no curto prazo, é a melhor opção disponível.

CDB de liquidez diária


Bancos digitais oferecem CDBs que rendem 100% do CDI ou mais, com resgate disponível a qualquer momento. O CDI acompanha a Selic de perto, então você recebe próximo da taxa básica. O risco é do banco emissor, não do governo, mas existe o Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, que garante até R$ 250.000 por CPF por instituição em caso de quebra do banco.

Conta remunerada de banco digital


Alguns bancos digitais remuneram automaticamente o saldo em conta corrente com taxas próximas ao CDI. É o caminho de menor atrito: você já tem o dinheiro lá, ele já rende. Verifique a taxa de cada banco antes de escolher.

Uma diferença que parece pequena mas não é


Comparar 6% ao ano da poupança com 13% ao ano do Tesouro Selic parece diferença de números. Na prática, em dez anos com R$ 10.000 investidos, a poupança entrega cerca de R$ 7.900 de rendimento. O Tesouro Selic entrega mais de R$ 23.000, já descontado o imposto de renda. O dinheiro aplicado é o mesmo. O tempo é o mesmo. A diferença é onde você deixou.


Com valores menores, a diferença em números absolutos é menor. Mas o princípio é o mesmo. Cada real que você deixa rendendo menos do que poderia é um custo invisível, e custo invisível é o tipo mais caro porque você não sente até olhar para trás.

Uma ressalva honesta


A poupança não é inútil em todas as situações. Para crianças pequenas, como forma de ensinar o hábito de guardar sem se preocupar com rendimento, ainda faz algum sentido. Para quem tem muita dificuldade com organização e qualquer fricção faz a pessoa desistir de guardar, a praticidade da poupança pode valer o rendimento menor.


Mas para qualquer adulto que pensa no dinheiro de forma consciente e tem acesso a internet para abrir uma conta em banco digital ou corretora, a poupança não é mais a melhor escolha. As alternativas são simples, seguras e mais rentáveis. O único obstáculo real é o hábito.


Hábito dá para mudar.


O conteúdo deste artigo é educacional e não substitui orientação de um profissional habilitado. Cada situação financeira é diferente.

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