Portabilidade de crédito: como levar sua dívida para um banco mais barato
Você pode transferir empréstimos e financiamentos para outro banco com juros menores, de graça e sem o banco atual poder impedir. Veja como.
Poucas pessoas sabem, mas dívida também tem concorrência. Se você contratou um empréstimo pessoal, um consignado ou um financiamento e outro banco oferece taxa menor, você tem o direito de levar essa dívida para lá. Isso se chama portabilidade de crédito, é regulamentada pelo Banco Central e o banco original não pode impedir.
O que é portabilidade de crédito
É a transferência de uma operação de crédito de uma instituição para outra, mantendo o saldo devedor e o prazo remanescente. O novo banco quita sua dívida com o banco antigo e você passa a dever para ele, com a taxa nova, menor. Por regra, a portabilidade em si não pode ter custo para o cliente e o valor e o prazo não podem aumentar.
Quando ela vale a pena
A portabilidade compensa quando a diferença de taxa é relevante e o prazo restante ainda é longo. Uma redução de 2% para 1,6% ao mês num consignado com 48 parcelas pela frente muda o total pago em milhares de reais. Nos últimos meses de contrato, o efeito é pequeno.
Ela é especialmente interessante em três situações:
- Consignado contratado em momento de juros altos, quando as taxas atuais estão menores.
- Financiamento de veículo feito às pressas na loja, sem comparar propostas.
- Crédito pessoal caro que pode virar uma modalidade mais barata em outro banco, dentro das regras da portabilidade.
Passo a passo para pedir
- Peça ao banco atual o saldo devedor atualizado e as condições do contrato (taxa, prazo restante, valor das parcelas). O banco é obrigado a fornecer.
- Leve esses números a outros bancos, inclusive ao seu banco de conta salário, e peça proposta de portabilidade para a mesma dívida.
- Compare o CET (Custo Efetivo Total) das propostas, não apenas a taxa de juros anunciada.
- Formalize o pedido no banco novo. Ele inicia o processo e o banco original tem prazo de 5 dias úteis para responder, podendo apresentar contraproposta.
- Se o banco antigo cobrir a oferta, você pode aceitar e ficar. Se não, a dívida migra automaticamente. Você não precisa quitar nada do próprio bolso.
As pegadinhas para não cair
Cuidado com o banco que oferece taxa menor mas embute seguro, título de capitalização ou tarifa que anula a economia. A comparação honesta é sempre pelo CET. Desconfie também de propostas que aumentam o prazo para a parcela parecer menor: você pode terminar pagando mais no total.
Portabilidade não é favor do banco. É direito seu, previsto em resolução do Conselho Monetário Nacional desde 2013.
E as dívidas de cartão e cheque especial?
Rotativo do cartão e cheque especial não entram na portabilidade tradicional, mas podem ser renegociados ou trocados por modalidades mais baratas. Se esse é o seu caso, o Plano de Saída das Dívidas aqui do site ajuda a montar a ordem de quitação usando os métodos Avalanche e Bola de Neve.